AS SERIES ESCOLARES E AS CLASSES DE VELEIROS
Quando somos crianças e começamos nossa vida de estudantes, os professores nos agrupam para facilitar o trabalho de alfabetização e socialização que terão pela frente. No nosso esporte é parecido, quando uma criança é levada pelos pais ou responsáveis a um clube para iniciação à vela, ela é agrupada a outras de idade semelhante. Começa então a alfabetização no Mar. Aprendem-se coisas simples como companheirismo, solidariedade, lealdade, e claro respeito ao Mar e ao meio ambiente. Nesse processo usamos um barco pequeno e a idade recomendada é por volta dos oito anos. Na medida em que a criança vai crescendo ela evolui dentro das suas possibilidades. Ao atingir os 15 anos de idade, deixa-se o optimist e migra-se para uma outra classe de barcos. É fácil entender por que. O barco que as crianças aprendem é de uso individual para que se desenvolva a responsabilidade do pequeno comandante, também é bem leve para que possa ser equilibrado por alguém de pouco peso, sendo assim logo que o adolescente fica mais pesado o barquinho passa a ser pequeno e de rendimento crítico para alguém muito grande. Por isso que em 31 de dezembro do ano em que o velejador(a) completa 15 anos ele abandona as competições da classe optimist. É nessa etapa da vida que o coração da pessoa vai dizer até onde quer se envolver com o mar, se lhe agrada mais à vela de competição ou de cruzeiro. Ambas são divertidas, e nada impede que um atleta de ponta também passeie com amigos em um veleiro sem compromisso de resultados. Mas se aquela pessoa que escolheu disputar no futuro uma olimpíada ou coisa parecida não procurar um bom técnico para lhe treinar nessa hora, o seu projeto de campeão pode ser comprometido.
Que classe escolher então? São tantas que aqui nesse texto seria cansativo detalhar uma por uma. O que chamamos de classe é um grupo de barcos com características idênticas.
Quais são as implicações disso? A facilidade de organizar uma regata, se os barcos são iguais todos competem nas mesmas condições.
A logística, o processo de fabricação e distribuição de peças que são padronizadas torna-se mais simples.
Tudo isso ajuda na expansão do esporte. O futebol cresceu porque a Fifa definiu o tamanho do campo, o peso da bola, as regras que regem a modalidade.
Exemplos de classes são; optimist, lazer, snipe, star, finn, lightning pingüim, hobie cat, 49er, day sailer, dingue, micro toner, ...
e ainda as classes oceânicas como VOR 70, Fast , Transat 6.5, Delta 32, e muito mais.
A essa altura já se pode perceber que as classes têm o mesmo nome dos barcos. Observe que esse nome do barco, e portanto da classe,
que estamos falando é na prática um grupo dentro de um grande universo de outros grupos. E tem mais, para organizar a classe em um local específico elege-se um líder que é chamado de capitão da flotilha ( coletivo de barcos ).
Dessa forma quando acontece uma regata de lazer, por exemplo, o capitão da flotilha de lazer é quem vai levar as informações de horário, percurso, apoios externos, e o que mais for conveniente aos demais velejadores da classe.
Definimos então como monotipos os barcos que são fabricados dentro de regras rígidas de comprimento, largura, peso, material de construção, tamanho do mastro,etc e oceânicos os veleiros que são projetados para uma navegação mais longa onde enfrentarão condições de tempo muito mais variáveis,
que por isso são equipados com foco nas variações de intensidade de vento, de temperatura, de ondas, etc. Mas nem assim os oceânicos deixam também de ser barcos de série.
Na verdade como eles são maiores as possibilidades de arranjos são muitas, o gosto de cada comandante, seu estilo de velejar irá ditar a disposição dos equipamentos que serão instalados, e a forma como a tripulação irá interagir com o barco.
Mas veja que as classes oceânicas tem suas regras e limitações também, por exemplo, as velas em algumas classes são fornecidas por um único fabricante, portanto padronizadas.
Lembre-se estamos falando de barcos de regata, os veleiros de cruzeiro são bem diferentes, sem compromisso com resultados. Os cruzeiristas levam no barco o que eles acharem conveniente, afinal ali pode ser a sua própria casa.
Aqui cabe uma explicação, O planejamento, o estudo, a preparação, tudo isso é importantíssimo para quem vai ao mar, mas nem sempre as coisas acontecem assim messe nosso Brasil do improviso, do "jeitinho", da solução de última hora.
Outros povos envolvidos com o mar há séculos tem uma cultura náutica própria. O Brasil deve desenvolver o seu potencial como uma nação que tem suas grandes cidades nas bordas do Atlântico, explora as riquezas maturais, de laser, de comércio, intercambio cultural.
Rui Barbosa já dizia que não podemos ser míopes diante das possibilidades que se apresentam a quem tem mais de 8.000 quilômetros de litoral. Considerando-se as 200 milhas temos uma área maior que a Amazônia Brasileira,
Para velejar nessa Amazônia Azul toda classe de barco é bem vinda em seus respectivos domínios e todo comandante deve seguir o bom censo criando uma rotina que observe a segurança de todos a bordo, e o respeito ao meio ambiente.
